Mark Weisbrot
Folha de São Paulo
 (Brasil), 28 de fevereiro, 2012
Em inglês | em espanhol

O Ministro das Relações Exteriores do Brasil, Antonio Patriota, fez uma declaração corajosa e muito importante na semana passada sobre a crescente ameaça de um ataque militar ao Irã. Ele pediu ao Secretário Geral da ONU, Ban Ki-moon, para ponderar sobre a legalidade da ameaça de um ataque militar contra o Irã.

"Por vezes, ouvimos a expressão 'todas as opções estão sobre a mesa' mas algumas ações são contrárias a lei internacional", disse Patriota.

As pessoas que continuam dizendo que "todas as opções estão sobre a mesa", com relação ao Irã, incluem vários representantes dos EUA e Israel, e mais importante o próprio presidente Obama.

E todos sabemos o que querem dizer quando dizem que "todas as opções estão sobre a mesa": reservam-se o "direito" de bombardear o Irã, se não conseguirem o que querem através de meios não-militares, incluindo sanções econômicas.

Mas tal ação seria de fato "contrário à lei", como Patriota sugeriu. Na verdade, é um crime muito grave de acordo com a lei internacional, e uma clara violação da Carta das Nações Unidas (Artigo 2). Apenas ameaçar usar força militar contra outro Estado membro da ONU - que o presidente Obama e o governo de Israel têm feito - é uma violação da Carta da ONU.

Aqui nos Estados Unidos, a mídia - especialmente as maiores TVs e rádios que têm a maior audiência - vem produzindo propaganda de guerra sobre a "ameaça" do Irã, em um replay virtual da preparação para a invasão do Iraque em 2003. O Congresso dos EUA, liderado pelos neoconservadores e o lobby do AIPAC (Israel), tem pressionado para cortar soluções diplomáticas. Uma resolução atualmente no Senado dos EUA encorajaria uma ação militar contra o Irã por apenas ter a "capacidade" para produzir uma arma nuclear - algo que o Brasil, Argentina, Japão e outros países com programas pacíficos de energia nuclear já tem.

E tudo isto apesar do fato de que o Irã está em conformidade com o Tratado de Não Proliferação Nuclear, incluindo as inspeções necessárias, e não demonstrou qualquer intenção de violar o tratado. E o consenso das dezesseis agências de inteligência dos EUA, reportado pelo New York Times no sábado, é que "não há provas concretas de que o Irã decidiu construir uma bomba nuclear."

É extremamente importante que as nações que têm interesse na manutenção da paz, e em um mundo governado por tratados internacionais e diplomacia - e não pela força - falarem, como o Brasil fez agora, antes que a guerra comece.

A declaração de Patriota é muito importante. Há muito mais que pode ser feito. O Brasil poderia trabalhar com os BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul) e Unasul (União das Nações Sul-Americanas) para obter mais declarações e compromissos. Estes grupos ou seus países-membros podem emitir declarações sobre como reagiriam a um país que realizasse um ataque militar não provocado ao Irã. Por exemplo, eles poderiam se comprometer a reconvocar seus embaixadores desse país; romper relações diplomáticas, ou rever suas relações comerciais, com a possibilidade de sanções econômicas seletivas.


Mark Weisbrot, codiretor do Centro de Pesquisas Econômicas e Políticas, em Washington, e presidente da Just Foreign Policy, passa a escrever quinzenalmente às quartas-feiras. A versão acima foi traduzido por Roland Di Biase Francisco direta versão em Inglês da página do CEPR.


GuideStar Exchange Gold charity navigator LERA cfc IFPTE

contact us

1611 Connecticut Ave., NW
Suite 400
Washington, DC 20009
(202) 293-5380
info@cepr.net

let's talk about it

Follow us on Twitter Like us on Facebook Follow us on Tumbler Connect with us on Linkedin Watch us on YouTube Google+ feed cepr.net rss feed