A Administração do governo Bush tenta cobrir o golpe na Venezuela
Por Mark Weisbrot
A viagem do Secretário Paul O’Neill ao Brasil, Argentina
e Uruguay trouxe muita atenção à respectiva crise economica e financeira
destes países. Mas, existe um país onde os EUA esta tendo um papel bastante
destruitivo – a Venezuela. Um papel que esta deixando a própria Venezuela de
fora.
Em abril a administração do presidente Bush mandou uma
mensagem poderosa – não só a Venezuela mas para todos seus vizinhos no
hemisfério sul: “Se nós não gostarmos do presidente que vocês elegerem, nós
usaremos nosso poder para tirar-lo do poder.” Foi este o comunicado quando a
administração apoiou o golpe militar no dia 11 de abril contra o presidente da
Venezuela votado e elegido pelo público. (A casa branca depois inverteu a história
e disse que achou que o presidente Hugo Chavez tinha se “demitido” – mas
ninguem ao sul do Rio Grande se enganou.)
Agora temos a chance de ver se o Senado dirigido pelos
democratas vai rejeitar ou não essa política estratégica dos anos 50.
No dia 3 de maio o Senador Christopher J. Dodd pediu uma
investigação do Departamento do Estado para descobrir o que foi feito de
errado na Venezuela. O que ele conseguiu foi uma pura cobertura do evento –
que foi levantado na semana passada.
O Departamento
de Estado – supostamente com uma função independente da do Inspetor Geral, não
entrevistou se quer um venezuelano, mas contou com o apoio da embaixada e outros
para cobrirem o acontecimento. Isto seria o equivalente a uma investigação da
Enron onde só Ken Lay e Andrew Fastow fossem entrevistados.
Partes significantes do relatório continuam inacessíveis.
Acredito que seja importante enfatizar a seção “Diversos Temas Aboradados
pela Mídia Venezuelana e Norte Americana.” Quais seções da mídia
informativa venezuelana e americana será que o Departamento do Estado americano
está querendo afastar ou esconder do público?
É obvio que eles não podem esconder coisas que a imprensa
já imprimiu. O Washington Post e o New York Times citaram inumeras reuniões
entre oficiais americanos e as pessoas que lideraram o golpe militar no dia 11
de abril. A imprensa européia foi mais explicita sobre essas reuniões: “O
golpe foi discutido em detalhe – desde seu tempo de duração até sua chance
de sucesso,” reportou o Observer de Londres, citando fontes da Organização
dos Estados Americanos.
Tinham dezenas de titulos como este em circulação. O
Departamento do Estado poderia muito bem ter iniciado uma investigação tendo
como inicio esses titulos, mas achou por bem não proceder uma investigação.
Ou será que investigaram o caso mas acharam por bem excluír essa informação
do público americano?
Algumas afirmações do relatório são piores do que as
omições. Em uma lista com as razões para a hostilidade contra o presidente
Hugo Chavez um dos motivos era o fato que poderia haver um aumento nos preços
de óleo. Então temos esse como o motivo principal da interferência dos EUA
nas eleições da Venezuela. Ironicamente, os EUA criticou a audácia do
presidente em decidir as relações venezuelanas sem a aprovação de
Washington! E as pessoas ainda se
perguntam porque o sentimento anti-EUA esta crescendo na América Latina….
O relatório admite que os oficias dos EUA não fizeram
quase nada (se é que fizeram alguma coisa) para informar os lideres do golpe
que eles iriam impor restrições em um governo instalado através de forças
militares. Isto significa que enquanto a embaixada americana supostamente não
apoiou o golpe, Washington fez questão de mandar milhões de dolares para
grupos que apoiavam o golpe. A verdadeira mensagem foi uma luzinha bem verde!
A oposição do governo anti-democratico venezuelano tem de
entender essa mensagem até que exista uma declaração explicita do Presidente
Bush dizendo que um golpe resultaria em um rompimento nas relações econômicas
e diplomáticas com os EUA.
O senado deveria demandar essa declaração e conduzir uma
investigação real ao invés dessa palhaçada providenciada pelo Departamento
do Estado. Qualquer outra coisa dirá ao mundo que nosso congresso – e não só
a administração do presidente Bush – tem pouco respeito pela democracia na
América Latina.
Mark
Weisbrot é co-diretor do Center for Economic and Policy Research
em Washington, DC
Traduzido por
Cynthia N. Catlett
|