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Ano eleitoral: Obama X Venezuela

Mark Weisbrot
Folha de São Paulo (Brasil), 18 de janeiro, 2012
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Já ficou comum os comentaristas políticos dos EUA descreverem a eleição primária republicana como a "estação da tolice", na medida em que os pré-candidatos procuram agradar à base de extrema-direita do partido com propostas e discursos que serão deixados de lado na eleição geral. Infelizmente, porém, a "estação da tolice" é um problema climático não apenas do lado republicano.

Como observei neste espaço duas semanas atrás, a administração Obama nos levou para mais perto de um confronto militar com o Irã, em parte pela pressão republicana, embora a administração esteja ficando nervosa com a possibilidade de ser arrastada para uma guerra por um ataque militar israelense.

Mas existem outras áreas em que elevar o tom das hostilidades, com finalidades eleitorais, é destituído de riscos políticos. A Venezuela é uma delas. A Flórida é um Estado indeciso nas eleições presidenciais americanas; logo, não foi surpresa ver, na semana passada, a administração expulsar a cônsul venezuelana de Miami.

A expulsão foi baseada em uma suposta conversa entre a consulesa venezuelana, Livia Acosta Noguera, reproduzida pela estação de TV de direita Univisión, no que parece ter sido uma tentativa fracassada de agentes à paisana de envolvê-la numa falsa trama de "ciberguerra".

Não está claro se a conversa foi real ou se aconteceu precisamente conforme foi reportado, mas, mesmo que tenha sido, não há provas de que a consulesa tenha se deixado envolver na armadilha.

A política de Obama em relação aos governos latino-americanos de esquerda vem sendo de "contenção e recuo", algo que mal é distinguível da política de George W. Bush.

Os EUA estão há mais de três anos sem embaixador na Bolívia, em parte devido à sua recusa em revelar o que o Departamento de Estado americano faz com as dezenas de milhões de dólares que vem gastando anualmente nesse país.

Washington também vem apoiando a oposição na Venezuela: por exemplo, o NED (National Endowment for Democracy), fundo de nome orwelliano, gastou US$ 1,6 milhão no país em 2010.

A maior parte do financiamento do NED está indo para o IRI (Instituto Republicano Internacional), o núcleo duro filiado ao Partido Republicano, que aplaudiu publicamente o golpe de 2002 na Venezuela e exerceu papel importante no golpe de 2004 que derrubou o governo democraticamente eleito do Haiti.

O IRI, em 2005, fez pressão por modificações nas leis eleitorais brasileiras que enfraqueceriam o Partido dos Trabalhadores, conforme reportado neste jornal.

Washington tampouco vem conquistando amigos com sua decisão de votar contra a concessão de empréstimos à Argentina por instituições multilaterais.

Mas a Venezuela é o alvo principal não por causa de Chávez, mas porque o país possui 500 bilhões de barris de petróleo, as maiores reservas estimadas do mundo.

Como não apenas Obama, mas também Chávez será candidato à reeleição neste ano, podemos prever mais façanhas de cunho publicitário nos próximos meses. Esse tem sido o padrão no passado, à medida que Washington procura influenciar a eleição na Venezuela por meio da mídia internacional.


Tradução de Clara Allain. Mark Weisbrot, codiretor do Centro de Pesquisas Econômicas e Políticas, em Washington, e presidente da Just Foreign Policy, passa a escrever quinzenalmente às quartas-feiras.

 

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