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Equador, dê asilo a Julian Assange

Mark Weisbrot
Folha de São Paulo
(Brazil), 13 de julho, 2012
Em inglês

Julian Assange, fundador do WikiLeaks, refugiou-se na embaixada do Equador em Londres, onde, de acordo com as autoridades equatorianas, está "sob a proteção do Estado equatoriano" enquanto espera a decisão de Quito sobre seu pedido de asilo político.

Se você se baseia na mídia de massa para saber por que ele está lá ou precisa de proteção, pode não ter ideia do que está acontecendo.

Boa parte da mídia reportou que Assange enfrenta "acusações" na Suécia e está tentando evitar ser extraditado do Reino Unido para aquele país. Na verdade, Julian Assange não foi acusado de crime algum.

Ele está sendo procurado para interrogatório por ordem de um promotor sueco. Por que ele não poderia ser interrogado no Reino Unido? Tente encontrar uma resposta em todas as "notícias" sobre o caso.

Sven Erik Alhem, antigo chefe da Promotoria em Estocolmo, já testemunhou que a decisão sueca de solicitar a extradição de Assange é "irracional, nada profissional, injusta e desproporcional", pois ele poderia facilmente ser interrogado no Reino Unido. A tentativa de extradição não tem a ver com investigação criminal.

E as coisas ficam ainda piores. Se conduzido à Suécia, Assange seria aprisionado e teria acesso limitado à mídia. Os procedimentos preparatórios do julgamento seriam sigilosos. E, talvez o mais importante, ele poderia ser extraditado com mais facilidade aos EUA, onde há investigações para determinar se ele pode ser julgado sob a Lei de Espionagem.

Se puder, a condenação acarretaria possibilidade de pena de morte. Poderosas autoridades americanas, como a senadora democrata Diane Feinstein, presidente do Comitê de Inteligência do Senado, já apelaram por processo nos termos dessa lei.

Os suecos com consciência deveriam se opor à política de seu governo de colaborar na perseguição a um jornalista que não foi acusado de crime algum. Isso ameaça a liberdade de expressão e informação.

O WikiLeaks ajudou a disseminar informações sobre crimes graves cometidos pelo governo dos EUA, como o vídeo de 2007 no qual as Forças Armadas parecem ter deliberadamente matado civis em um ataque por helicóptero. Por isso, o governo dos EUA quer punir Assange e outras pessoas associadas ao grupo.

O papel da imprensa internacional vem sendo tão vergonhoso quanto o do governo sueco. Ela deveria sair em defesa de alguém que enfrenta ameaça de prisão pelo "crime" de praticar o jornalismo, mas parece simpática a quem deseja aprisionar e possivelmente matar Assange.

É uma felicidade que o Equador, ao contrário da Suécia, tenha um governo independente que não aceita ordens dos Estados Unidos.

Esse é um novo exemplo de como a "segunda independência" da América Latina, liderada por governos de esquerda eleitos e reeleitos nos últimos 15 anos, beneficiou não só a região como todo o planeta.


Mark Weisbrot é co-diretor do Centro de Pesquisa Econômica e Política de Washington e presidente da Just Foreign Policy. Tradução de Paulo Migliacci.

 

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