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Uma América Latina mais independente dos EUA e o legado de Chávez

Mark Weisbrot
Al Jazeera English, 5 de março, 2013
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Bertrand Russell escreveu, sobre o revolucionário norte-americano Thomas Paine, que “tinha defeitos, como qualquer homem; mas foi por suas virtudes que foi odiado e caluniado com sucesso”.
Não poderia ser mais verdadeiro, dito de Hugo Chávez Frias, que foi provavelmente mais demonizado que qualquer outro presidente eleito na história do mundo. Mas continuou a ser reeleito por amplas maiorias, e foi chorado hoje, não só pelos venezuelanos, mas por muitos latino-americanos capazes de avaliar o que fez pela região.

Chávez sobreviveu a um golpe de Estado patrocinado por Washington e a greves das petroleiras que por pouco não destruíram a economia da Venezuela, mas obteve afinal o controle sobre a indústria do petróleo, seu governo reduziu a pobreza à metade e a extrema pobreza a menos de 30% do que era ao chegar à presidência. Milhões de pessoas ganharam acesso à assistência gratuita à saúde pela primeira vez na vida, e o acesso à educação aumentou muito, com o número de matriculados nas universidades duplicado e cursos absolutamente gratuitos para muitos. O número de aposentados triplicou. Chávez cumpriu promessa de campanha, de partilhar com a maioria dos venezuelanos a riqueza do petróleo do país. E tudo isso é apenas uma parte de seu legado.

Chávez deixa também, como legado seu, a segunda independência da América Latina, sobretudo daAmérica do Sul, que é hoje mais independente dos EUA que a Europa.

Sim, nada disso teria acontecido sem os amigos próximos e aliados de Chávez: Lula no Brasil, os Kirchners na Argentina, Evo Morales na Bolívia, Rafael Correano Equador e outros. Mas Chávez foi o primeiro presidente que a esquerda elegeu nos últimos 20 anos, e teve papel muito importante; assistam ao que dirão dele todos esses presidentes, e todos perceberão que essas falas serão mais significativas e muito mais importantes que a maioria dos obituários, antiobituários e comentários de “especialistas”. Todos esses governos do campo da esquerda obtiveram avanços notáveis na redução da pobreza, no aumento do emprego e na melhoria das condições gerais de vida, especialmente para as vastas maiorias mais pobres – e seus partidos também foram repetidas vezes eleitos e reeleitos.

Para esses outros presidentes democráticos, Chávez é visto como parte dessa revolta continental que se fez pelas urnas e que transformou a América do Sul e aumentou a participação política e as oportunidades para maiorias e minorias sempre, antes, excluídas.

É altamente provável que esse processo prossiga na Venezuela depois da morte de Chávez. Seu partido tem mais de 7 milhões de filiados e já mostrou competência para vencer eleições, mesmo sem contar com Chávez em campanha nas eleições locais de dezembro passado, quando os chavistas venceram em cinco governadoratos e em 20 de 23 estados.

As relações com os EUA dificilmente melhorarão. O Departamento de Estado e o próprio presidente Obama distribuíram várias declarações hostis durante os meses da doença de Chávez, o que indica que, faça o que fizer o próximo governo (sob a provável presidência de Nicolas Maduro), Washington continuará sem trabalhar para melhorar essas relações.

 

 

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