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Vitória para a paz

Mark Weisbrot
Folha de São Paulo
(Brasil), 21 de dezembro, 2011
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A cobertura do fim da guerra do Iraque é mais um lembrete do papel horrível exercido pela grande mídia em enterrar a verdade, especialmente as verdades mais importantes para o progresso social.

A Guerra do Iraque foi um crime hediondo sob qualquer ponto de vista humano. Mais de 1 milhão de iraquianos estão mortos -a maioria da imprensa nem sequer acertou esse número.

Milhões de pessoas foram deslocadas, feridas ou tiveram suas vidas arruinadas de outras maneiras, e o país ainda se encontra em um caos deplorável. Cerca de 4.500 soldados americanos morreram e dezenas de milhares ficaram feridos, mais de US$ 1 trilhão foi desperdiçado -e para quê?

Para uma guerra que foi baseada em mentiras desde o início e que não teria sido possível, não fosse o fato de o governo e a mídia dos EUA terem convencido a maioria dos americanos de que o Iraque estava ligado ao 11 de Setembro. E que possuía armas de destruição em massa, quando, na realidade, não representava ameaça de segurança nem aos EUA nem mesmo a seus vizinhos.

E por que a imprensa não divulga o papel exercido pelo movimento pacifista em pôr fim a esta guerra? Sem essa pressão organizada, é pouco provável que George W. Bush tivesse assinado o acordo que impôs a retirada das tropas e não se sabe se Obama o teria respeitado.

A informação está ali para quem quiser procurá-la, mas poucos a encontrarão no noticiário da grande imprensa que jorra de sua TV, seus rádios ou seus jornais diários.

Essas lições dificilmente poderiam ser mais importantes neste momento, porque o Pentágono, que vem cada vez mais contestando a autoridade do presidente em nossa emergente república de bananas, gostaria de estabelecer bases militares permanentes no Afeganistão, como tentou, mas não conseguiu fazer no Iraque.

Derrotar essa ambição será crucial para encerrar a guerra no Afeganistão, já que o outro lado jamais o aceitará. Igualmente importante é o fato de o governo Obama estar deitando as bases para uma guerra com o Irã -repetindo o padrão que Bill Clinton e, depois, Bush seguiram no longo período de preparação para a segunda guerra do Iraque. Criando falsas ameaças, promovendo a hostilidade, recusando-se a conversar, impondo sanções e procurando isolar o país -já vimos esse filme e sabemos como termina.

E os republicanos estão ainda mais ansiosos para puxar o gatilho: Newt Gingrich afirmou que bombardear as instalações nucleares do Irã não seria suficiente e deixou fortemente subentendido que será necessária uma guerra para promover a "mudança de regime".

Os americanos, de modo geral, se opõem à guerra e não nutrem amor pelo império, como mostram pesquisas. O exemplo mais recente é a ascensão de Ron Paul na primária republicana, com base em sua atitude antiguerra e anti-império.

Mas o establishment de política externa já conseguiu em muitas ocasiões manipular a opinião pública, às vezes justamente por tempo suficiente para iniciar uma guerra que então se torna difícil de encerrar. Ele jamais conseguiria fazê-lo sem a ajuda da grande mídia.


Tradução de Clara Allain. Mark Weisbrot, codiretor do Centro de Pesquisas Econômicas e Políticas, em Washington, e presidente da Just Foreign Policy, passa a escrever quinzenalmente às quartas-feiras.

 

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