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A Administração do governo Bush tenta cobrir o golpe na Venezuela

9 de agosto, 2002, Mark Weisbrot  Em inglês

A Administração do governo Bush tenta cobrir o golpe na Venezuela


Por Mark Weisbrot

Knight-Ridder/Tribune Information Services - August 5, 2002
Clarion Publications - October 24, 2002
Dodge City Daily Globe - October 24, 2002
Day (New London, CT) - August 9, 2002


A viagem do Secretário Paul O’Neill ao Brasil, Argentina e Uruguay trouxe muita atenção à respectiva crise economica e financeira destes países. Mas, existe um país onde os EUA esta tendo um papel bastante destruitivo – a Venezuela. Um papel que esta deixando a própria Venezuela de fora.

Em abril a administração do presidente Bush mandou uma mensagem poderosa – não só a Venezuela mas para todos seus vizinhos no hemisfério sul: “Se nós não gostarmos do presidente que vocês elegerem, nós usaremos nosso poder para tirar-lo do poder.” Foi este o comunicado quando a administração apoiou o golpe militar no dia 11 de abril contra o presidente da Venezuela votado e elegido pelo público. (A casa branca depois inverteu a história e disse que achou que o presidente Hugo Chavez tinha se “demitido” – mas ninguem ao sul do Rio Grande se enganou.)

Agora temos a chance de ver se o Senado dirigido pelos democratas vai rejeitar ou não essa política estratégica dos anos 50.

No dia 3 de maio o Senador Christopher J. Dodd pediu uma investigação do Departamento do Estado para descobrir o que foi feito de errado na Venezuela. O que ele conseguiu foi uma pura cobertura do evento – que foi levantado na semana passada.

O Departamento de Estado – supostamente com uma função independente da do Inspetor Geral, não entrevistou se quer um venezuelano, mas contou com o apoio da embaixada e outros para cobrirem o acontecimento. Isto seria o equivalente a uma investigação da Enron onde só Ken Lay e Andrew Fastow fossem entrevistados.

Partes significantes do relatório continuam inacessíveis. Acredito que seja importante enfatizar a seção “Diversos Temas Aboradados pela Mídia Venezuelana e Norte Americana.” Quais seções da mídia informativa venezuelana e americana será que o Departamento do Estado americano está querendo afastar ou esconder do público?

É obvio que eles não podem esconder coisas que a imprensa já imprimiu. O Washington Post e o New York Times citaram inumeras reuniões entre oficiais americanos e as pessoas que lideraram o golpe militar no dia 11 de abril. A imprensa européia foi mais explicita sobre essas reuniões: “O golpe foi discutido em detalhe – desde seu tempo de duração até sua chance de sucesso,” reportou o Observer de Londres, citando fontes da Organização dos Estados Americanos.

Tinham dezenas de titulos como este em circulação. O Departamento do Estado poderia muito bem ter iniciado uma investigação tendo como inicio esses titulos, mas achou por bem não proceder uma investigação. Ou será que investigaram o caso mas acharam por bem excluír essa informação do público americano?

Algumas afirmações do relatório são piores do que as omições. Em uma lista com as razões para a hostilidade contra o presidente Hugo Chavez um dos motivos era o fato que poderia haver um aumento nos preços de óleo. Então temos esse como o motivo principal da interferência dos EUA nas eleições da Venezuela. Ironicamente, os EUA criticou a audácia do presidente em decidir as relações venezuelanas sem a aprovação de Washington!  E as pessoas ainda se perguntam porque o sentimento anti-EUA esta crescendo na América Latina….

O relatório admite que os oficias dos EUA não fizeram quase nada (se é que fizeram alguma coisa) para informar os lideres do golpe que eles iriam impor restrições em um governo instalado através de forças militares. Isto significa que enquanto a embaixada americana supostamente não apoiou o golpe, Washington fez questão de mandar milhões de dolares para grupos que apoiavam o golpe. A verdadeira mensagem foi uma luzinha bem verde!

A oposição do governo anti-democratico venezuelano tem de entender essa mensagem até que exista uma declaração explicita do Presidente Bush dizendo que um golpe resultaria em um rompimento nas relações econômicas e diplomáticas com os EUA.

O senado deveria demandar essa declaração e conduzir uma investigação real ao invés dessa palhaçada providenciada pelo Departamento do Estado. Qualquer outra coisa dirá ao mundo que nosso congresso – e não só a administração do presidente Bush – tem pouco respeito pela democracia na América Latina.


Mark Weisbrot é co-diretor do Center for Economic and Policy Research em Washington, DC
 

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