Democracia No Brasil Enfrenta Obstáculo dos EUA

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7 de maio, 2002, Mark Weisbrot  Em inglês

Democracia No Brasil Enfrenta Obstáculo dos EUA

Por Mark Weisbrot

7 de Maio, 2002, Knight-Ridder/Tribune Information Services

No início de maio os mercados financeiros brasileiros não mostraram nenhuma reação ao fato que Lula teria a maioria dos votos previstos em pesquisas conduzidas para as eleições presidenciais do final do ano. Quer dizer, até as gigantes companhías americanas Merril Lynch e Morgan Stanley Dean Witter reduziram o valor das ações brasileiras.

A bolsa de valores brasileira caiu mais de 4% em um dia na primeira semana de maio/última semana de abril. Wall Street declarou o perigo anexado com essa caída. O alerta de Wall Street foi sem precedência e deixa suspeitas de que existem motivos políticos atrás deste alerta. O PT deixou bem claro sua intenção em honrar as obrigções e dividas pendentes. Não deixando motivo para empresas acreditarem o contrário. Foi exatamente por isso que o mercado financeiro brasileiro não reagiu a liderança do PT nas pesquisas.

O poder dessas firmas estrangeiras em mover mercados financeiros e intimidar os eleitores é tremenda e é também uma grande ameaça à democracia no Brasil.

Mas, não é só Wall Street que ameaça o procedimento justo de eleições democraticas no Brasil. Existe também o governo americano com o seu querido curriculum vitae! Nas eleições de 1998, o New York Times publicou que um empréstimo ao Brasil só seria aprovado se FHC (ao invés de Lula) fosse eleito presidente. Claro que essas ameaças não determinaram as eleições daquele ano, mas podem arruinar o procedimento de eleições justas no país este ano.

Com o apoio da administração do presidente Bush na intervenção nas eleições venezuelanas, pouco faz crer que as coisas serão diferentes com o Brasil.


Mark Weisbrot é co-diretor do Center for Economic and Policy Research.

Traduzido por Cynthia N. Catlett